

O debate sobre os efeitos do uso excessivo de telas por crianças e adolescentes ganhou nova dimensão nos últimos anos. Para o neurologista infantil Dr. Marcelo Masruha, que acaba de lançar o livro: “Salve seus filhos: como as telas estão lesando cérebros de crianças e adolescentes e os 7 passos para livrá-los do vício digital”, é hora de a sociedade deixar de olhar apenas para o tempo de exposição e começar a entender como e para que essas telas estão sendo usadas. “Nem todo tempo de tela é igual. O impacto varia muito conforme o tipo de uso. E essa distinção é essencial para pais, educadores e profissionais da saúde”, afirma o médico.
O especialista explica que os efeitos sobre o cérebro de uma criança que joga, assiste vídeos aleatórios ou estuda pelo computador são completamente diferentes. O cérebro da criança não está pronto para se autorregular. Cabe aos adultos limitar, supervisionar e orientar o uso das telas. “Não é exagero: estamos vendo uma geração com queda no desempenho cognitivo, mais ansiosa, mais impulsiva e com dificuldades crescentes de atenção. E isso tem muito a ver com os estímulos digitais”, alerta.
Segundo Masruha, existem três tipos principais de tempo de tela, cada um com características e riscos diferentes:
1. Tempo de tela passivo
É quando a criança assiste a vídeos, filmes ou programas sem interatividade, como no YouTube, TikTok ou streaming. “Esse é o mais prejudicial. A criança fica em um estado de recepção contínua”, explica.
2. Tempo de tela ativo ou interativo.
Envolve jogos e atividades digitais em que há resposta ou participação do usuário, como videogames ou aplicativos educativos. “Apesar de também exigir moderação, esse tempo tende a ser menos nocivo que o passivo, porque exige tomada de decisão, coordenação motora e até estratégia”, alerta Masruha.
3. Tempo de tela produtivo ou acadêmico
É o uso das telas para estudo, pesquisa escolar, leitura digital e tarefas educativas, geralmente com propósito definido.“Esse é o uso menos nocivo e, em muitos casos, benéfico”, afirma.
Masruha reforça que o desenvolvimento cerebral está diretamente ligado ao tipo de estímulo que recebe e recomenda que os pais assistam com seus filhos, conversem sobre o que está sendo consumido e intervenham quando necessário.“A tela pode ser uma ferramenta de aprendizado e desenvolvimento — ou uma fonte de empobrecimento cognitivo. Tudo depende de como é usada, por quanto tempo e com que conteúdo. A regra é clara: não basta limitar o tempo, é preciso cuidar da qualidade.”
Neurologista infantil lança o livro “Salve seus Filhos”
“Salve seus filhos: como as telas estão lesando cérebros de crianças e adolescentes e os 7 passos para livrá-los do vício digital” surge como um alerta urgente para pais, educadores e profissionais de saúde diante de um fenômeno cada vez mais presente: o uso excessivo de dispositivos digitais e seus efeitos nocivos no desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das novas gerações.
Segundo o Dr. Marcelo, vivemos uma era em que as telas dominam quase todos os aspectos da vida humana, especialmente na rotina das crianças e adolescentes. “Não se trata de condenar a tecnologia, mas de oferecer um olhar crítico, baseado em evidências científicas, para compreender como o uso excessivo pode comprometer o futuro de nossas crianças”, afirma o especialista.
O livro apresenta informações abrangentes sobre como o tempo de tela afeta o cérebro em desenvolvimento, funções cognitivas, saúde mental, vida social e desempenho acadêmico. Além disso, propõe estratégias práticas para que pais e educadores consigam equilibrar o uso das telas com atividades que promovam o bem-estar físico e mental, criando ambientes mais saudáveis e equilibrados, em casa e nas escolas.
Escrito em linguagem acessível, mas com sólido embasamento científico, o livro é um convite à reflexão e à ação: “Cuidar de nossas crianças é, acima de tudo, preservar a essência do que nos torna verdadeiramente humanos”, defende o autor.
Sobre o Dr. Marcelo Masruha
Instagram: https://www.instagram.com/dr.marcelomasruha/
https://www.youtube.com/c/DrMarceloMasruha

Neurologista adulto e infantil, com Doutorado, Pós-Doutorado e Livre-Docência pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), onde também foi Professor Associado, Coordenador do Curso de Neurologia e do Programa de Residência em Neurologia Pediátrica, além de Chefe do Setor de Neurologia Infantil.
Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNi), atuou ainda na Comissão de Ensino da Academia Brasileira de Neurologia, responsável pelas provas de Título de Especialista.
Autor de mais de 80 artigos científicos, 77 capítulos de livros e 7 obras publicadas, orientou 29 pós-graduandos entre mestres e doutores. Recebeu 10 prêmios e homenagens ao longo da carreira.
Atualmente, é CEO e Fundador da NeuroWiser, além de atuar em consultório privado em Vitória (ES).