

O percentual de estudantes que concluíram o Ensino Médio até os 18 anos com aprendizado mínimo desejável em Matemática caiu de 25,5% para 21,4% no Brasil, uma retração de 4,1 pontos percentuais. Os dados são do Índice de Inclusão Educacional (IIE), divulgado em fevereiro de 2026. Para o especialista em educação e criação, CEO e um dos idealizadores do De Criança Para Criança (DCPC), Vitor Azambuja, o desempenho não pode ser atribuído apenas à complexidade da disciplina, mas também ao modo como o conhecimento é apresentado e vivido pelos estudantes.
“O aluno precisa sair da escola compreendendo o que foi ensinado. Isso acontece quando existe envolvimento real com o conteúdo, e não apenas repetição de fórmulas”, afirma. Para Vitor, a aprendizagem efetiva depende de imersão, sentido e conexão com o cotidiano.
Metodologias que colocam o estudante no centro do processo tendem a ampliar o engajamento e favorecer a retenção do conhecimento. Nesse cenário, ferramentas tecnológicas, como a Inteligência Artificial, podem contribuir para o ensino, desde que atuem como suporte e não como substituição da experiência pedagógica. “A tecnologia facilita caminhos, mas não aprende sozinha. É fundamental que o aluno crie, participe e esteja envolvido em cada etapa”, pontua o educador.
A mesma avaliação é compartilhada por Gilberto Barroso, especialista em educação e negócios, também CEO do DCPC. Para ele, o debate sobre tecnologia na educação precisa avançar para além do uso de ferramentas digitais. “Não se trata de inserir IA por si só, mas de repensar como o conhecimento é construído em sala de aula. Quando a criança entende o porquê do que está aprendendo, a tecnologia passa a fazer sentido”, analisa.
O DCPC exemplifica essa abordagem ao integrar linguagem, criatividade e tecnologia ao cotidiano escolar por meio da criação coletiva de histórias. Em rodas de conversa, os alunos discutem temas diversos, desenvolvem narrativas, produzem desenhos e gravam locuções, transformando o aprendizado em conteúdos audiovisuais. “O processo é tão importante quanto o resultado. A criança exercita escuta, argumentação, imaginação e organização de ideias”, explica Gilberto.
Segundo Vitor, essa lógica também pode ser aplicada a disciplinas tradicionalmente vistas como complexas, como a Matemática. Em vez de uma explicação puramente expositiva, o conteúdo pode ser apresentado por meio de narrativas, personagens e recursos visuais. “É possível criar personagens que representam números, dar nomes e emoções a equações, construir histórias em que uma criança explica ao colega uma dúvida que teve. O visual e o desenho ajudam a compreender processos que, de outra forma, seriam apenas decorados”, exemplifica.
Produções como “A festa dos números”, desenvolvida por uma turma da Educação Infantil, e “Uma aula divertida de Matemática”, criada por alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, mostram como esse tipo de abordagem contribui para a compreensão dos conceitos. “Quando o aprendizado ganha forma, história e emoção, ele deixa de ser abstrato e passa a fazer sentido”, conclui Gilberto.