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Medicina reprodutiva

Junho é o mês da conscientização sobre a infertilidade, condição médica que atinge milhões de pessoas em todo o mundo e que, embora comum, ainda é cercada por tabus, julgamentos e silêncio. Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5% da população adulta global é infértil, o que representa 1 em cada 6 pessoas. No Brasil, a estimativa é de que 278 mil casais enfrentem dificuldades para engravidar, um número que reforça o caráter de problema de saúde pública.

A infertilidade é definida pela OMS como a incapacidade de engravidar após 12 meses de tentativas regulares sem o uso de métodos contraceptivos. E embora muitas vezes seja erroneamente atribuída apenas às mulheres, especialistas explicam que as causas estão divididas quase igualmente entre fatores femininos, masculinos e mistos.

“Infertilidade não é uma sentença nem culpa de ninguém. É uma condição médica que pode ser investigada, compreendida e, na maioria das vezes, tratada com muito sucesso. O mais importante é buscar ajuda especializada e entender que existe caminho,” afirma a ginecologista e especialista em Reprodução Humana Dra. Carla Iaconelli, referência em tratamentos de fertilidade.

As causas mais comuns de infertilidade

No caso das mulheres, os principais fatores que afetam a fertilidade incluem:

  • Distúrbios hormonais que afetam a ovulação
  • Idade avançada – a fertilidade feminina começa a cair significativamente após os 35 anos
  • Endometriose
  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
  • Obstruções tubárias (nas trompas de falópio)
  • Miomas, pólipos e anomalias uterinas

Nos homens, as principais causas estão relacionadas a:

  • Alterações na qualidade ou quantidade dos espermatozoides
  • Varicocele (dilatação das veias testiculares)
  • Disfunções hormonais
  • Infecções ou traumas
  • Estilo de vida: consumo excessivo de álcool, tabagismo, obesidade, estresse crônico e uso de anabolizantes

“Muitas vezes o casal adia a busca por diagnóstico por vergonha, culpa ou desinformação. Quanto antes investigarmos, maiores são as chances de sucesso no tratamento. A infertilidade não escolhe classe social, orientação sexual ou idade — ela pode acontecer com qualquer pessoa,” explica Dra. Carla.

Avanços e opções de tratamento

A boa notícia é que a medicina reprodutiva avançou significativamente nos últimos anos, tornando possível o sonho da maternidade para mulheres e casais em diferentes contextos.

Entre os tratamentos disponíveis estão:

  • Relação sexual programada: ideal para casos mais simples, com acompanhamento do período fértil.
  • Inseminação intrauterina (IIU): os espermatozoides são processados em laboratório e introduzidos diretamente no útero.
  • Fertilização in Vitro (FIV): o óvulo é fecundado fora do corpo e o embrião transferido ao útero. É o tratamento mais conhecido e com maiores taxas de sucesso.
  • Congelamento de óvulos e embriões: indicado para quem deseja preservar a fertilidade.
  • Doação e recepção de óvulos ou embriões: indicada para mulheres com baixa reserva ovariana, menopausa precoce ou que passaram por tratamentos como quimioterapia.
  • Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGT): permite selecionar embriões livres de doenças genéticas.

“Hoje temos recursos para atender desde os casos mais simples até os mais complexos, com taxas de sucesso que podem chegar a 60% em ciclos de FIV, dependendo da idade da paciente e da qualidade embrionária. Além disso, o congelamento de óvulos é uma opção assertiva para mulheres que querem decidir o melhor momento para ser mãe,” explica a especialista.

Preservar a fertilidade também é um ato de planejamento

A idade ainda é um dos fatores mais impactantes na fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, a qualidade e quantidade dos óvulos diminui, afetando as chances naturais de engravidar.

“É importante que a mulher conheça o próprio corpo e entenda que o tempo reprodutivo não acompanha o tempo social. O congelamento de óvulos é uma ferramenta poderosa de autonomia e planejamento. Ser mãe aos 40 é possível — desde que com acompanhamento médico especializado,” destaca Dra. Carla Iaconelli.

Infertilidade é saúde pública – e precisa ser falada com naturalidade

Apesar dos avanços tecnológicos, o acesso aos tratamentos ainda é limitado para grande parte da população. No Brasil, poucos centros públicos oferecem técnicas de reprodução assistida com regularidade, e a alta demanda gera longas filas de espera.

A OMS recomenda que governos ampliem políticas públicas e investimentos em saúde reprodutiva para garantir o acesso universal aos tratamentos de fertilidade — especialmente para casais com menor poder aquisitivo.

“Precisamos falar sobre infertilidade com naturalidade, empatia e responsabilidade. É uma questão de saúde, e não de escolha. A informação é a primeira forma de cuidado,” finaliza Dra. Carla.

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