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O consumidor em 2026

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Galinha Pintadinha
14 de dezembro de 2025
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14 de dezembro de 2025

O consumidor em 2026

A América Latina inicia 2026 com uma mudança clara no comportamento de consumo. Após um 2025 marcado pela resiliência, pelo e-commerce mais acelerado do mundo, pela adoção massiva de carteiras digitais e por consumidores capazes de equilibrar inflação com criatividade, os dados mostram que o perfil do consumidor da região tem evoluído para um modelo mais cauteloso, comunitário e seletivo em relação à tecnologia.

Esse ciclo, no entanto, já começa a se transformar. Novas pressões econômicas, maior preocupação com segurança, processos eleitorais em diversos países e um ecossistema saturado de conteúdo moldam um consumidor diferente para o próximo ano. Uma análise conduzida pela LatAm Intersect identifica quatro transições essenciais que vão marcar 2026 e passam do resiliente ao incerto, do sustentável ao comunitário, do autocuidado à nostalgia e da curiosidade pela IA à busca por confiança.

“A região demonstrou uma força notável em 2025, mas essa mesma resiliência agora abre espaço para uma necessidade maior de segurança, estabilidade e provas claras de valor”, afirma Livia Gammardella, Head de Marketing & Digital da LatAm Intersect. “Os consumidores já não se contentam apenas com mensagens inspiradoras, mas esperam que as marcas mostrem, na prática, que compreendem sua realidade”.

1. De resiliente a incerto: o fim do otimismo cauteloso

Embora o consumo das famílias em 2025 tenha superado o crescimento do PIB em diversas economias e mais da metade dos lares tenha utilizado sete ou mais canais de compra, 2026 aponta para uma mudança rumo à prudência. O custo de vida, a insegurança e um ano eleitoral decisivo em países como Colômbia, Brasil e Peru impulsionam um comportamento mais conservador:

  • 52% dos consumidores estão preocupados com suas finanças.
  • O crime e a violência superaram a inflação como principal preocupação regional.
  • Espera-se aumento nas decisões de manutenção e reparo de produtos, em vez de optar pela substituição.

2. De sustentável a comunitário: a hiperlocalidade ganha o centro do consumo

O interesse por produtos locais já vinha em crescimento — 60% dos brasileiros, 59% dos colombianos e 54% dos mexicanos querem comprar mais produtos nacionais —, mas em 2026 essa preferência se combina com um movimento mais amplo: retorno a espaços presenciais, grupos menores e experiências multissensoriais.

Os consumidores querem menos scroll, rolar a tela para baixo, e mais participação tangível:

    • 75% afirmam que prefeririam comprar de marcas locais se a qualidade se mantiver.

 

  • O varejo experiencial ganha força em relação ao comércio puramente transacional.

 

Casos como a sandália “Encardida”, da Havaianas — batizada pelos próprios usuários — mostram como as comunidades estão redefinindo identidades de marca em tempo real.

  3. Do autocuidado à nostalgia: a Geração Z lidera o retorno ao passado

Embora o bem-estar tenha sido um grande motor de consumo em 2025 — 48% declararam ser uma prioridade de gasto —, o estudo revela uma nova camada emocional: a nostalgia como resposta à fadiga digital e à incerteza.

    • 53% dos colombianos acreditam que o país era melhor em 1975.
    • A Geração Z é hoje a mais nostálgica: 54% preferem estética vintage e 50% sentem afinidade com mídias do passado.

 

  • 92% dos jovens brasileiros notaram um aumento de conteúdo retrô em 2025.

 

Isso se traduz na busca por objetos físicos, rituais cotidianos e marcas com herança cultural reconhecível.

4. De curiosos por IA a buscadores de confiança: a tecnologia como filtro, não como novidade

A adoção de IA já é massiva — 65% dos consumidores a utilizam, embora persistam dúvidas sobre falsidade e manipulação.

Para 2026, o estudo indica uma mudança central:

  • A IA será aceita apenas se oferecer segurança e transparência.
  • 62% dos consumidores globais confiariam mais em marcas que explicassem como utilizam IA.
  • No Brasil, o uso de IA para apoio emocional cresceu de 10% para 44% em um ano.

“Em 2026, o desafio das marcas será demonstrar coerência em um contexto onde a incerteza econômica, a fadiga digital e a desconfiança institucional vão redefinir  o consumo. Percebemos  latino-americano que não busca mais promessas, mas provas: ele quer estabilidade financeira, proximidade comunitária, referências culturais que façam sentido e uma tecnologia que não apenas funcione, mas seja transparente”, destaca a especialista.

Neste cenário, é importante destcar, por fim, as quatro estratégias fundamentais para 2026: storytelling baseado em evidências; ciclos de microcomunidades que integrem o digital ao presencial;revivals que reinterpretam a nostalgia sob uma ótica contemporânea; e ecossistemas de influência onde macrocriadores, vozes locais e usuários reais validem a autenticidade de forma colaborativa.

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